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Metodologias Ativas

Métodos Ativos e Passivos

Para entendermos sobre metodologias ativas vamos antes recordar o ensino tradicional. Esse modelo condiciona ao aluno o papel exclusivo de receptor passivo de informações passadas por um professor, que é o protagonista da experiência.

O ensino tradicional foca na exposição verbal docente, um modelo já apontado por diferentes autores como ineficiente para a aprendizagem e desenvolvimento de competências essenciais para a vida futura (MOTA, 2018)

Por sua vez, a aplicação de metodologia ativa transfere esse protagonismo ao estudante. Logo, uma metodologia ativa é um processo de aprendizagem cuja principal característica é o papel do estudante como agente principal responsável pela sua aprendizagem, incentivando a autonomia e a participação total do aluno.


O que chamamos de ensino tradicional não foi imutável em sua forma, na verdade, teve mudanças significativas ao longo do tempo. Você já ouviu falar da educação 1.0, 2.0, 3.0, 4.0? E sobre a educação 5.0, o que sabe? É importante ressaltar aqui que estes modelos não foram excludentes, na verdade, todos eles ainda coexistem. Vamos agora apresentar brevemente a evolução da educação relacionada ao contexto da revolução industrial.


Educação e Revolução Industrial


A ideia de troca de conhecimento está presente há muito tempo na sociedade, e é especialmente lembrada em seu início nas cidades gregas da Idade Antiga, com os filósofos discursando nas acrópoles. Porém, sua estruturação de modo semelhante como o que conhecemos hoje ocorreu somente na Idade Média, com as fundações das primeiras universidades, como Oxford e Cambridge, no Reino Unido.


Esse modelo, hoje em dia conhecido por Educação 1.0, funcionava de forma estritamente hierárquica, com os professores como detentores de todo o saber, logo, em posição de respeito e poder, e os alunos com uma postura passiva de recebimento do saber. No contexto histórico era uma educação acessível a uma minoria e o modelo corrente era de um tutor atendendo a um ou poucos alunos.

Com o crescimento das cidades e, por consequência, o aumento de pessoas a serem instruídas, esse modelo foi adaptado para poder ser acessível a um público maior. Assim, os conteúdos foram padronizados de forma que um professor pudesse atender a dezenas de alunos. O método de aprendizagem, agora chamado de Educação 2.0, tinha por base decorar conteúdos pela repetição, o que refletia no cenário maior do contexto de trabalho na sociedade - tarefas repetitivas e mecânicas surgidas com a Segunda Revolução Industrial.


Até este momento, o professor se mantinha como personagem detentor de todo o conhecimento. Essa postura entrou em choque com o advento da Terceira Revolução Industrial - ou Revolução Técnico-Científica e Informacional - que trouxe progresso nas áreas de transportes, telecomunicações, informática e outras áreas. Nos anos 90, os computadores, softwares e quadros digitais começaram a ser incorporados na educação, permitindo ao aluno buscar dados e informações para além da sala de aula. Com isso as atribuições, do aluno e do professor mudaram, o professor passou a ser um mentor - um orientador na jornada de aprendizagem do estudante -, enquanto o aluno assume o protagonismo de sua aprendizagem. Grande parte dos cursos e treinamentos no Brasil está classificada dentro desse modelo de educação, chamada de Educação 3.0.

As mudanças estabelecidas pela Educação 3.0 e a Terceira Revolução Industrial oportunizaram a Quarta Revolução Industrial, ou Revolução Digital, e a Educação 4.0. A Quarta Revolução Industrial trouxe avanços em áreas como a Robótica e a Inteligência Artificial, disponibilizando tecnologias como máquinas de prototipagem rápida e redes de comunicação. Neste contexto, a informação passa a ser mais acessível, facilitando a colaboração em rede.

Essas novas tecnologias incorporadas ao processo de aprendizagem trouxeram avanços no ensino de robótica e linguagens de programação, principalmente nas escolas de ensino técnico e cursos de capacitação profissional.

Os métodos aplicados a uma educação 4.0 se baseiam na experimentação, no aprender fazendo - learning by doing. A Cultura Maker entra como uma aliada nesse cenário, uma vez que é apoiada na experimentação e no aprender fazendo de forma colaborativa. Também são importantes os espaços físicos de experimentação e colaboração, como os Espaços Makers, Espaços Hackers e Laboratórios de Prototipagem Rápida, por estimularem ainda mais a troca de conhecimentos entre as pessoas, com vivências práticas.


No decurso da Educação 4.0, surge o conceito da Educação 5.0, que, além das competências tecnológicas, também ganham destaque as competências socioemocionais - soft skills. O processo de aprendizagem é focado na resolução de problemas, não apenas pelo domínio de ferramentas e tecnologias (que mudam a cada ano), mas antes por uma mudança de mentalidade.


Nesse modelo o aluno não é só o protagonista como também lidera o processo de aprendizagem, e o professor tem ainda mais acentuado seu papel de mentor e curador de conteúdo. Além disso, o espaço da escola é repensado como parte de um ecossistema vivo muito maior, que inclui a comunidade, equipamentos culturais, centros de pesquisa e empresas. Destaca-se a forte relação da Educação 5.0 com a cultura empreendedora, com os centros de ensino inseridos em um ecossistema colaborativo.


Metodologias Ativas

As metodologias ativas têm presença a partir da educação 3.0, e acentuaram sua relevância nos modelos seguintes, realçadas pela ineficácia do ensino tradicional para fornecer as competências e habilidades necessárias na vida profissional dos estudantes frente às recentes mudanças e atualizações nas profissões.


O papel do professor também foi reformulado: de transmissor do saber para mentor, com a responsabilidade de criar ambientes de aprendizagem estimulantes e atividades diversificadas. Isso para que o aluno seja estimulado a desenvolver seu senso de responsabilidade, maturidade, capacidade de interpretação e avaliação de informações, autonomia, entre outros.

Agora, como botamos isso em prática? Quais passos precisamos dar para aplicação de metodologias ativas? Como vimos, o estudante deve ser o protagonista de sua jornada de aprendizagem, logo, devemos nos perguntar: Quais são as características do ensino participativo?


A principal diz respeito aos alunos, que devem ter autonomia, logo, deve-se permitir a eles a escolha de seus pontos de aprendizado. Os tópicos podem variar de acordo com o interesse do estudante, aptidões, e, principalmente, de acordo com o projeto que está executando. Por isso, faz-se necessário que tanto o curso como o professor ofereçam orientação a uma variedade de métodos e ferramentas de aprendizagem, para que sejam adequados a diferentes assuntos e características dos estudantes. Vejamos a seguir o resumo das características fundamentais que diferenciam o ensino ativo do ensino tradicional:


Como vimos na história da educação, os modelos 1.0 e 2.0 priorizavam o método expositivo nas aulas, aspecto que muda na educação 3.0 e nas seguintes. Esses novos modelos de ensino promovem uma variedade de métodos, como, por exemplo: o debate; o estudo de caso; a aprendizagem baseada em projeto; a aprendizagem pela experiência; o método design thinking; o role play; a simulação; e o brainstorming.


Sociedade em constante mudança


E por que tantos métodos de ensino? Por que focar na experimentação? A humanidade passou por séculos de educação sem esses conceitos, por que mudar? Porque a sociedade mudou. Pense por um momento no seu dia a dia: quantas atividades diferentes você executa em um dia normal de trabalho? Quantas atividades e habilidades são necessárias para uma conclusão satisfatória dessas atribuições?


Vamos explorar possíveis respostas.


A história da humanidade sempre passou por constantes mudanças, mas, no momento atual, essas mudanças são mais rápidas. Hoje temos a necessidade de nos mover, trabalhar, comunicar e aprender de forma mais ágil.


Em um dia normal executamos algumas tarefas repetitivas, mas também temos muitas tarefas ocasionais ou não previstas: reuniões de última hora, relacionamentos por meio de redes sociais, dificuldades no processo de um trabalho que não foi previsto no planejamento, dentre tantas outras. Para cada uma dessas atividades é necessário algumas habilidades técnicas, como conhecimento de plataformas onlines e softwares. Para outras, são necessárias habilidades como: senso crítico, capacidade de enxergar problemas dentro de um contexto maior, trabalho em equipe, autonomia, pró atividade, dentre outras.


As primeiras habilidades – hard skills - podemos adquirir em cursos livres, na educação tradicional, ou de forma autônoma buscando a resposta na Internet ou YouTube. As habilidades da segunda categoria – soft skills - não são apreendidas meramente por meio de aulas expositivas e conteúdos teóricos, elas são incorporadas pela prática constante.


Além disso, a capacidade de concentração está diminuindo a cada ano (Larry Rosen - professor da Universidade Estadual da Califórnia), o que exige formas diferentes de aprendizado, que não apenas despertem o interesse mas que mantenham esse interesse. As metodologias ativas, com base na experimentação e na resolução de problemas, indicam um possível caminho para a capacitação no cenário empresarial.


A capacitação de colaboradores das empresas dentro dessas metodologias traz maior autonomia para o aprendiz, assim, instigando nele maior atenção, responsabilidade e pró-atividade. A aprendizagem baseada em projeto ou em resolução de problemas relaciona o conteúdo com o contexto de trabalho do colaborador, facilitando a retenção de conhecimento, e o trabalho em equipe valoriza a colaboração, a troca de ideias e a visão mais ampla e completa do problema abordado.


Como adotar metodologias ativas dentro de empresas?


Treinamentos com aprendizagem baseada em projeto


Como vimos acima, a aprendizagem baseada em projetos, principalmente se estes são contextualizados no dia a dia do trabalho, são mais eficazes para a apreensão de novos conceitos, pois despertam responsabilidade e senso crítico do participante. Além disso, uma aprendizagem baseada em projeto vai requerer o uso e, portanto, o desenvolvimento de habilidades para aplicação de diferentes ferramentas que poderão no futuro ser adotadas a outros projetos.


Variedade de métodos de aprendizagem


Cada pessoa tem suas características particulares e conhecimento de algumas habilidades. Com isso em mente, fica claro que nem todo mundo aprende da mesma forma. A metodologia ativa, por se utilizar de um leque diversificado de abordagens, é mais inclusiva, atendendo aos diferentes públicos.


A metodologia ativa permite a adaptação do ensino de acordo com o público a que vai atender. Essa preparação pode ser realizada por meio do Mapeamento da Cultura de Inovação de uma empresa que aponta os perfis presentes dentro da instituição e as trilhas de aprendizagem mais adequadas para cada público, levando em consideração a realidade da indústria e seu contexto.


Construção de espaços de inovação e colaboração – Espaços Makers

Espaços de inovação são ambientes físicos que promovem o aprendizado, a criação, a colaboração, a inovação e o empreendedorismo. Alguns exemplos desses espaços são os laboratórios, os espaços hackers e os espaços makers. Os Espaços Makers podem incluir tanto ferramentas tradicionais de prototipagem, quanto ferramentas tecnológicas e eletrônicas, como equipamentos de prototipagem rápida.


Dentro das indústrias, a existência de um Espaço Maker aumenta o acesso a ferramentas de prototipagem rápida, possibilitando a experimentação e o treinamento de recursos humanos em novas tecnologias. Além disso, potencializa o colaborador a participar no desenvolvimento de soluções para os desafios da indústria.


Os treinamentos baseados em projeto e com metodologia ativa prepara os participantes com as ferramentas necessárias para enfrentar os problemas e desafios que encontram no dia a dia da empresa, para além do final da capacitação. Os colaboradores de uma empresa, uma vez que possuem as ferramentas e o espaço necessário para a materialização rápida de ideias, podem contribuir para levar mais eficiência e agilidade no desenvolvimento de processos e serviços para a empresa.